Como evolui uma colónia ao longo do ano?
Descubra como uma colónia de abelhas adapta o seu tamanho e atividade às estações do ano, desde o crescimento na primavera até à sobrevivência no inverno.
Resumo
Uma colónia saudável adapta continuamente o seu tamanho e atividade às estações do ano. Na primavera cresce rapidamente, no verão atinge normalmente a sua maior população, no outono prepara-se para reduzir a atividade e no inverno concentra os seus esforços na sobrevivência. Conhecer este ciclo anual ajuda o apicultor a interpretar corretamente aquilo que observa durante as inspeções.
Evolução anual de uma colónia
A evolução de uma colónia acompanha, em grande medida, a disponibilidade de néctar e pólen. Quando os recursos aumentam, a rainha intensifica a postura, cresce a área de criação e o número de obreiras aumenta progressivamente. Este crescimento permite aproveitar melhor as florações e reforçar a capacidade de recolha de alimento.
Na primavera é habitual observar uma expansão rápida da população. Surgem mais obreiras, aumenta a criação e começam também a aparecer zangões, preparando a época reprodutiva. Colónias muito fortes podem iniciar comportamentos relacionados com a enxameação, tema que será abordado num artigo próprio.
Durante o verão, a população pode atingir dezenas de milhares de abelhas. É também o período de maior atividade de pecoreio. A disponibilidade de alimento, a temperatura e a disponibilidade de água influenciam diretamente o ritmo de trabalho da colónia.
Com a chegada do outono, muitas colónias reduzem gradualmente a criação. A produção de zangões diminui e a rainha adapta a postura às condições existentes. As reservas de mel e pólen tornam-se fundamentais para enfrentar os meses seguintes.
No inverno, a atividade exterior reduz-se significativamente. As abelhas concentram-se na manutenção das condições internas da colónia e preservam energia até ao regresso de temperaturas mais favoráveis. Em regiões de clima ameno, como grande parte de Portugal, a criação pode não desaparecer totalmente, embora seja normalmente muito inferior à observada na primavera.
Nas meliponíneas, a evolução anual depende fortemente da espécie e do clima local, podendo diferir de forma significativa da observada em Apis mellifera.
Valores de referência
| Estação | Situação mais frequente |
|---|---|
| Primavera | Crescimento rápido da população e da criação |
| Verão | População máxima e maior atividade de pecoreio |
| Outono | Redução gradual da postura e preparação para o inverno |
| Inverno | Atividade reduzida e consumo das reservas |
Nota: A evolução anual depende do clima, da disponibilidade de alimento, da sanidade da colónia e do maneio realizado pelo apicultor.
Sabia que...?
Duas colónias localizadas a poucos quilómetros de distância podem evoluir de forma diferente ao longo do ano, dependendo da flora disponível, altitude, exposição solar e condições meteorológicas.
Como o abelhas.eu pode ajudar
Ao manter um histórico de inspeções, população, criação, reservas e condições meteorológicas, o abelhas.eu facilita a compreensão da evolução de cada colónia ao longo das diferentes estações e permite comparar anos consecutivos.
Quando procurar apoio técnico
Se a evolução observada for muito diferente do esperado para a época do ano, especialmente quando acompanhada por ausência de criação, perda acentuada da população ou consumo anormal de reservas, procure apoio de um técnico apícola.
Na prática
Conhecer a evolução anual de uma colónia ajuda a interpretar corretamente as inspeções. Uma colónia considerada forte na primavera pode não apresentar as mesmas características no inverno, sem que isso represente necessariamente um problema.
Artigos relacionados
Referências
- Good Beekeeping Practices for Sustainable Apiculture · FAO
- Honey Bee Biology · COLOSS
- Recursos técnicos e científicos · Apimondia
- Informação oficial sobre apicultura · DGAV